Fórum Fafe
Gostaria de reagir a esta mensagem? Crie uma conta em poucos cliques ou inicie sessão para continuar.

Microsoft vs. Google: choque de titãs

Ir em baixo

Microsoft vs. Google: choque de titãs Empty Microsoft vs. Google: choque de titãs

Mensagem por FreezingMoon em Ter 14 Jul 2009, 03:05

A guerra entre a Google e a Microsoft está ao rubro. A Google prepara-se para lançar no mercado o Chrome OS, um sistema operativo grátis para já destinado aos 'netbooks', mas que poderá vir no futuro a concorrer com o célebre Windows; a Microsoft responde e avança com o motor de busca Bing, onde gastou 100 milhões de dólares em promoção, e está a desenvolver o Gazelle, um produto parecido com o próprio Chrome OS. Quem irá vencer o braço-de-ferro?

A Google vai lançar o Chrome OS, um novo sistema operativo para netbooks, disponível no final do ano para os programadores e no mercado no segundo semestre de 2010. O Chrome OS será "destinado numa fase inicial aos netbooks", especifica Paulo Barreto, responsável da Google Portugal. Velocidade, simplicidade e segurança são as principais vantagens do Chrome OS, concebido para arrancar e levar o utilizador para a Web em segundos", antecipavam os responsáveis do projecto, Sundar Pichai e Linus Upson. É o primeiro ataque da Google ao quase monopólio da Microsoft no mercado dos sistema operativos.

A Microsoft responde. Deve anunciar esta semana a data de lançamento do Azure, um sistema operativo para a computação distribuída, revelar planos para colocar online várias das suas aplicações e levar o Windows para a Web. O pacote de aplicações, como o Word ou o Excel, pode ter versões light, com menos funcionalidades, na Internet, para concorrer directamente com as apps da Google. Sem grande sucesso nas empresas - vendas de "centenas de milhar" - têm 15 milhões de utilizadores na versão gratuita.

Este modelo de aplicações baseadas na Web já demonstrou funcionar bem e, mesmo sem acesso à Internet, permitem efectuar tarefas, como a gestão do correio electrónico, que serão sincronizadas quando o computador fica online. Mas 70% do software das empresas têm aplicações em ambiente Windows e dificilmente vão mudar. "Isto vai estar muito em moda mas são precisos três a cinco anos antes de haver algum impacto notório no mercado", antecipa o analista Michael Silver, da Gartner.

A Google é a concorrência que a Microsoft não teve durante anos no software, mas o inverso também é verdade nas pesquisas online. E se um sistema operativo gratuito tem impacto no negócio Windows da Microsoft, a Apple (e o seu Mac OS) ou as derivações do Linux também são afectadas.

Confortável com 88% de quota de mercado garantido pelo Windows, a Microsoft obteve 58% das receitas (29 mil milhões de dólares) com este software e respectivas aplicações. Nos browsers, o Chrome tem à sua frente o Internet Explorer (IE), o Firefox e o Safari (para Mac), com apenas 1,8% de quota. Este mercado é liderado pelo IE com 66%, Tinha 80% há dois anos atrás.

Nas buscas online, a Google lidera mas a Microsoft apostou forte no Bing, gastando 100 milhões de dólares para o promover desde 1 de Junho. Os dois titãs defrontam-se ainda no software para telemóveis (Android e Windows Mobile), nas aplicações (Docs e Office), nos serviços de correio electrónico (Gmail e Hotmail) ou na visualização geográfica, entre Google Earth e Virtual Earth.

A Google não encoraja os fabricantes a adaptar o Android para os netbooks, apesar de algumas empresas terem intenção de o fazer antes de saberem do Chrome OS. O que diferencia este último do Android é a sua génese, explica a Google. "O Android foi concebido desde o início para funcionar em muitos dispositivos, desde telemóveis a netbooks", enquanto o Chrome OS pode ser instalado "desde os pequenos netbooks até aos computadores desktop".

Esta linha de adopção levanta algumas questões. O comunicado da Google salienta como os utilizadores "não querem passar horas a configurar os seus computadores para trabalhar com cada novo dispositivo de hardware ou ter que se preocupar com as constantes actualizações de software".

Essas actualizações passam pelos drivers dos periféricos, necessários para a interacção eficaz com equipamentos como impressoras ou a placa gráfica que gera as imagens no ecrã.

Para o Windows, existem dois milhões destes pequenos programas e a Microsoft tem larga experiência na sua gestão; a Google pode contornar o problema agilizando a actualização automática dos drivers, até porque a maioria está disponível na Internet. Mas tem dois grandes desafios - convencer os fabricantes de computadores a pré-instalar o seu programa; e levar os fabricantes de periféricos (como câmaras fotográficas ou impressoras) a desenvolverem software que permita aos seus dispositivos funcionarem com o novo sistema Google.

Os netbooks são computadores portáteis pequenos e baratos, com acesso à Internet, vendidos por muitos fabricantes. Servem para utilizadores que prezam a ligação à Internet mais do que aplicações potentes. Quase 80% usam Windows XP e o Windows 7, vendido a partir de Outubro, terá uma versão menos exigente para eles. E meses de antecipação perante o Chrome OS.

"Uma fatia de 40% de todos os PC portáteis vendidos este ano serão netbooks", afirmou Paul Lee, da Deloitte UK. A Gartner estima serem 21 milhões de um total de quase 150 milhões de portáteis vendidos globalmente.

Para Lee, eles serão "vulgares como os rádios ou os televisores" e em "concorrência com os smartphones". Nos Estados Unidos, uma operadora já oferece netbooks por um dólar a clientes que subscrevam planos de fidelização de comunicações durante dois anos.

"O browser é o sistema operativo", declarou Marc Andreesen em 1994. Poucos ligaram ao criador do primeiro browser comercial, o Navigator, da Netscape.

Poucos anos depois, a Sun anunciou o Net computer, um dispositivo com um sistema operativo mínimo, sempre ligado à Internet para ir buscar as aplicações. Sem sucesso. Seguiu-se a Apple com um computador sem disquete - a transferência de dados passaria pela Internet. Foram mais os sorrisos que as disquetes destruídas.

Agora, tudo se conjuga para efectivar estas visões, com a chamada cloud computing ou computação na rede.

Com as aplicações online e a garantia de algumas funcionalidades offline (para quando não houver ligação à Internet), Google e Microsoft enfrentam-se de forma curiosa: o gigante da Web quer levar as suas aplicações online para o computador, enquanto a gigante do software se move na direcção oposta para colocar as suas aplicações na cloud. A Microsoft investiu numa rede de servidores para rivalizar com os data centers da Google.

Quem triunfar nos browsers e no sistema operativo tem vida facilitada para controlo das aplicações e dos dados pessoais. Após o anúncio do Chrome OS, a organização de direitos cívicos Consumer Watchdog alertou que "a Google está a tentar sair da nuvem da Internet para o hardware e software" do utilizador. "Quer saber de tudo para depois poder oferecer essa informação aos anunciantes".

O vaporware foi uma táctica popularizada pela Microsoft que passava por anunciar produtos que não tinha ou não tencionava desenvolver para dificultar a vida às empresas interessadas em produtos concorrentes.

O anúncio do Chrome OS reavivou a memória dessa táctica, até mesmo pela Microsoft. "Qualquer empresa é livre de revelar os anúncios que considera mais relevantes para a sua estratégia e por norma a Microsoft não comenta caso a caso esses anúncios", afirmou Patrícia Fernandes, da subsidiária portuguesa, ao DN. "No caso do Chrome OS, a Google divulgou uma intenção e não apresentou um produto concreto, pelo que não há nada a comentar por agora. A concorrência é saudável e os consumidores sairão seguramente beneficiados com a pluralidade de ofertas".

O anúncio da Google foi feito num blogue da empresa mas não na sua página oficial. Dava pelo título "Introducing the Google Chrome OS" mas nada de concreto foi introduzido. Sem fotos ou vídeos, atirado para "a segunda metade de 2010", será uma evolução do Chrome ou um Linux embrulhado pela Google? As futuras versões do Chrome funcionam nos concorrentes Linux, Mac ou Windows?

Alguns críticos apontaram que a Google pode estar apenas a fazer marcação cerrada aos anúncios públicos da Microsoft. Em Junho, quando esta ia lançar o Bing, a Google apareceu com um anúncio vago sobre a aplicação Wave; quando a Microsoft se prepara para lançar aplicações online, a Google antecipa um sistema operativo.

Mas os dois gigantes não estão sozinhos nesta guerra. O Jolicloud recebeu na semana passada um forte apoio, no valor de 4,2 milhões de dólares. Este projecto para desenvolvimento de um novo sistema operativo está na versão "alfa privada" e deve passar a beta no fim do ano.

O anúncio fala de investimento "num mercado onde o alto risco tem um potencial para levar a um elevado retorno". O Jolicloud, que aceita aplicações Linux ou Windows, visa obter um ambiente ligeiro e ágil no arranque dos netbooks.

O projecto começou no Verão de 2008 e aproveita a tendência da nova era em que os computadores são baratos, o software é gratuito e a conectividade está em todo o lado, apenas limitada pelas numerosas restrições impostas pelo software dos sistemas operativos - cujas raízes datam dos anos 70.

Para os mais cépticos, passada euforia inicial, a posição de domínio não será beliscada. "Numa escala de 1 a 10, a ameaça para a Microsoft é 3", dizem analistas. As previsões são de que 2% dos utilizadores de PC experimentem o Chrome OS no primeiro ano, uma fatia que poderá chegar a 10% no segundo ano, caso o sistema dê boa conta de si. Toda a gente diz mal do Windows, mas poucos passam sem ele.

E fica uma grande questão por responder: o que acontecerá se não houver acesso à Internet. O tempo dirá se a dependência da Net será factor de êxito ou de fracasso do Chrome OS, sabendo que, hoje, 90% da nossa vida computacional estão na Web.
FreezingMoon
FreezingMoon
FórumAdmin
FórumAdmin

Número de Mensagens : 2395
Idade : 35
Localização : Fafe\Guimaraes
Data de inscrição : 18/03/2008

Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum